Por que algumas pessoas continuam tendo crises mesmo em tratamento?
Crises que resistem ao tratamento: entenda suas causas
Mesmo com acompanhamento médico e uso correto de medicamentos, uma parte das pessoas com epilepsia continua apresentando crises. Esse quadro é conhecido como epilepsia farmacorresistente e acontece quando duas tentativas adequadas de medicamentos para epilepsia, usados corretamente e em doses apropriadas, não conseguem controlar as crises.1,2
O que está por trás da epilepsia farmacorresistente?
A principal característica da epilepsia farmacorresistente é a persistência de crises frequentes e imprevisíveis, o que compromete diretamente a qualidade de vida. Isso ocorre porque, em alguns casos, o tipo de epilepsia ou a origem das crises pode não responder adequadamente aos medicamentos disponíveis.1,2
Fatores associados à farmacorresistência
Entre os fatores mais frequentemente associados à epilepsia farmacorresistente estão:
● malformações cerebrais congênitas;
● lesões cerebrais adquiridas;
● predisposição genética;
● tumores cerebrais;
● infecções do sistema nervoso central.
Essas condições podem alterar a forma como o cérebro gera e transmite impulsos elétricos, dificultando o controle apenas com medicação. 1,2
Por que trocar o remédio nem sempre resolve?
Estudos mostram que a maior chance de controle das crises ocorre com o primeiro ou segundo medicamento. Enquanto a primeira medicação pode controlar as crises em uma parcela significativa dos pacientes, a probabilidade de controle das crises diminui progressivamente com cada nova tentativa medicamentosa. Quando isso acontece, o quadro passa a ser classificado como epilepsia farmacorresistente.1,2
O que fazer quando os medicamentos falham?
Nesses casos, o paciente deve ser encaminhado para avaliação especializada, que pode incluir:
● investigação mais detalhada da origem das crises;
● análise de possibilidade de cirurgia para epilepsia, quando indicada;
● terapias complementares, como novos medicamentos, dietas terapêuticas ou dispositivos de neuromodulação, dependendo do perfil clínico.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, reconhecer precocemente quando a epilepsia não responde aos medicamentos é fundamental para ampliar as opções terapêuticas e reduzir os impactos físicos, emocionais e sociais das crises.1
Continuar tendo crises mesmo em tratamento não significa falta de cuidado, mas sim que a condição exige uma abordagem diferente, mais personalizada e multidisciplinar.1,2
Referências:
1.World Health Organization (WHO). Epilepsy. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/epilepsy. Acesso em: 16 mar. 2026.
2.International League Against Epilepsy (ILAE). Definition of drug-resistant epilepsy. Disponível em: https://www.ilae.org/guidelines/definition-and-classification/definition-of-drug-resistant-epilepsy. Acesso em: 16 mar. 2026.